Como a memória foi formada?
A pesquisadora sênior do cérebro, professora Sandra Bond-Chapman, apresentou em uma palestra TEDx sete estratégias que podem “ativar” e aprimorar a atividade cerebral. Embora algumas delas contrariem ideias tradicionais, elas oferecem insights importantes para melhorar a qualidade de vida e o desempenho cognitivo.
1. Fazer uma tarefa de cada vez (Single Tasking)
O cérebro humano foi projetado para focar em uma tarefa por vez. No entanto, na vida moderna, acreditamos que o multitarefas é necessário e eficiente.
Na prática, trocar constantemente de tarefa exige esforço adicional, pois o cérebro precisa lembrar exatamente onde parou em cada atividade. Essas mudanças frequentes consomem energia mental e reduzem a capacidade de realizar tarefas cognitivas mais profundas.
Em resumo: ao focar em uma única tarefa por vez, há um aumento imediato na eficiência e na produtividade mental.
2. Filtrar informações (Inhibit Information)
Hoje somos expostos a um volume enorme de informações — muito maior do que há algumas décadas. Em um mundo assim, a inteligência não está apenas em absorver mais dados, mas em saber filtrar o que é relevante.
A habilidade essencial aqui é distinguir o essencial do irrelevante e manter o foco no objetivo principal.
Quanto melhor conseguimos ignorar distrações e focar no que importa, melhor é o nosso desempenho cognitivo.
3. “Desintoxicar” distrações (Detox Distractions)
A tecnologia é uma ferramenta poderosa, mas pode se tornar um problema quando passa a nos controlar.
Notificações, mensagens e interrupções constantes fragmentam a atenção. Estudos mostram que muitas pessoas não conseguem manter foco contínuo por mais de alguns minutos sem interrupção.
Como o cérebro funciona melhor em foco contínuo, reduzir distrações é essencial para manter o fluxo mental e a qualidade do pensamento.
4. Pensamento de grandes ideias (Big Idea Thinking)
Aprender algo novo se torna mais eficaz quando conectamos essa informação ao que já sabemos.
Esse processo envolve pensamento de nível superior: generalizar, encontrar padrões, estabelecer relações e tirar conclusões.
Quanto mais profundamente conectamos ideias novas ao conhecimento existente, maior a chance de retenção e compreensão duradoura.
5. Regular o esforço mental (Calibrar o esforço)
Nem todas as tarefas exigem o mesmo nível de atenção e energia. Muitas vezes gastamos esforço demais com coisas simples e de menos com questões importantes.
A recomendação é direcionar o “pensamento pesado” para tarefas complexas, especialmente nos momentos de maior energia mental — que, para muitas pessoas, ocorre nas primeiras horas do dia.
6. Inovação (Innovation)
O cérebro responde muito bem à novidade. Desde cedo até a idade avançada, ele é estimulado por mudanças e novas experiências.
A rotina excessiva pode levar ao “desligamento” cognitivo, enquanto novas atividades, novas formas de agir ou até novas conversas ajudam a reativar circuitos cerebrais.
Em outras palavras: mudar padrões estimula o cérebro a permanecer ativo e flexível.
7. Motivação
A motivação tem impacto direto na aprendizagem. Quando estamos motivados, o cérebro libera mais dopamina, um neurotransmissor que acelera o processo de aprendizagem e reforça o foco.
Embora muitas pessoas acreditem que motivação é algo incontrolável, ela pode ser estimulada — especialmente quando encontramos significado na tarefa ou criamos novas formas de abordá-la.
A criatividade e o envolvimento ativo ajudam a aumentar o interesse e, consequentemente, o desempenho.
Conclusão
Segundo a professora Sandra Bond-Chapman, cada pessoa é responsável por cuidar e “operar” seu próprio cérebro. Seu objetivo é incentivar que todos priorizem o desenvolvimento cognitivo para atingir seu potencial máximo em qualquer idade.
Ao aplicar essas estratégias no dia a dia, é possível fortalecer a mente, melhorar o foco e preservar a saúde cerebral ao longo do tempo.


