Manter a independência funcional é uma das maiores prioridades na terceira idade. Por isso, é importante compreender quais fatores contribuem para um melhor desempenho nas atividades do dia a dia. Os idosos diferem significativamente entre si na forma como ocorre o declínio funcional ao longo do envelhecimento. Enquanto algumas pessoas mantêm relativa estabilidade por muitos anos, outras podem apresentar uma deterioração mais rápida e acentuada. Embora as funções cognitivas influenciem diretamente a capacidade funcional, as razões para essas diferenças entre indivíduos ainda não são totalmente compreendidas.
O Que São Estratégias Compensatórias e Qual é o Seu Objetivo?
Pesquisadores estimam que o nível de funcionalidade diária em idosos depende, em grande parte, do desenvolvimento de estratégias compensatórias capazes de reduzir o impacto do declínio cognitivo natural associado ao envelhecimento.
Para desenvolver habilidades compensatórias, é necessário aprender quais recursos pessoais estão disponíveis e como adaptá-los ao ambiente em que vivemos, de forma a alcançar, manter e aprimorar a independência funcional.
Estratégias são técnicas e métodos que desenvolvemos ou aprendemos para realizar atividades de maneira mais eficiente, rápida, precisa e consistente. Muitas vezes, criamos estratégias de forma inconsciente ao aprender novas habilidades ou enfrentar desafios, perguntando a nós mesmos: “Qual é a forma mais fácil e eficiente de fazer isso?”
Em alguns casos, as estratégias servem para compensar uma dificuldade específica ou contornar uma habilidade perdida, seja temporária ou permanentemente, permitindo alcançar determinado objetivo — de forma semelhante ao uso de muletas após uma lesão.
Tipos de Estratégias
Existe uma ampla variedade de estratégias, que podem ser classificadas de diferentes maneiras.
Algumas envolvem o uso de ferramentas externas, como calendários, agendas, alarmes e lembretes para organizar a rotina e realizar tarefas diárias. Outras utilizam recursos internos, como criar histórias mentais ou associações para lembrar um endereço ou uma informação importante.
As estratégias também podem ser organizadas de acordo com a área em que auxiliam, como aprendizagem, execução de tarefas ou planejamento de atividades. Além disso, podem estar relacionadas a diferentes domínios cognitivos, como atenção, memória ou resolução de problemas.
É importante destacar que, quanto maior o repertório de estratégias que desenvolvemos, maior tende a ser nossa autoconsciência. Conseguimos identificar melhor nossas dificuldades, tornamo-nos mais flexíveis diante dos desafios e aumentamos nossa capacidade de adaptação, mesmo quando a solução não parece evidente inicialmente.
Questionário de Compensação de Memória (MCQ)
Em 2001, Dixon e colaboradores publicaram um instrumento confiável e abrangente de autorrelato chamado Memory Compensation Questionnaire (MCQ), desenvolvido para avaliar os padrões de uso e a extensão das estratégias compensatórias relacionadas ao declínio da memória em idosos.
O MCQ apresenta diversas vantagens, pois inclui perguntas relacionadas às dificuldades de memória vivenciadas no cotidiano e às percepções subjetivas sobre o próprio desempenho de memória.
Referências
Tomaszewski Farias, S., Schmitter-Edgecombe, M., Weakley, A., Harvey, D., Denny, K. G., Barba, C., Gravano, J. T., Giovannetti, T., & Willis, S. (2018). Compensation strategies in older adults: association with cognition and everyday function. American Journal of Alzheimer’s Disease & Other Dementias, 33(3), 184–191.
Dixon, R. A., de Frias, C., & Bäckman, L. (2001). Characteristics of self-reported memory compensation in older adults. Journal of Clinical and Experimental Neuropsychology, 23, 650–661.


