A resiliência, ou “חוסן” em hebraico, é uma das áreas mais estudadas nos últimos anos. Isso acontece porque pesquisadores buscam compreender por que algumas pessoas são mais resilientes, ou seja, conseguem lidar melhor com os desafios da vida e se recuperar de maneira mais rápida e saudável diante de dificuldades como doenças, separações, perda de pessoas queridas, fracassos profissionais, crises econômicas, entre outras situações.
Esses estudos levaram os pesquisadores a questionar o que define a resiliência e se ela pode ser desenvolvida intencionalmente em pessoas que se sentem menos resilientes, fortalecendo assim sua capacidade de enfrentamento.
A resiliência não está relacionada apenas aos momentos de crise, mas também às dificuldades comuns da vida cotidiana. Com o envelhecimento, muitas tarefas podem se tornar mais difíceis: sentimos mais dores, temos menos energia ou até menos confiança em nós mesmos. É importante não permitir que as mudanças associadas à idade limitem nossa forma de viver e participar do mundo. Pelo contrário, a terceira idade pode ser uma excelente oportunidade para experimentar novas atividades, descobrir interesses diferentes e redescobrir a si mesmo.
Resiliência e Capacidade de Enfrentamento
Na maioria das vezes, associamos resiliência à capacidade de lidar com adversidades. Enfrentar momentos difíceis de maneira eficaz exige criatividade para resolver problemas, avaliar vantagens e desvantagens de diferentes opções e colocar soluções em prática.
Além disso, também é necessário saber lidar com o sofrimento emocional relacionado às situações difíceis. É importante destacar que a resiliência está fortemente ligada a um estilo de vida saudável e depende de diversos fatores, como força emocional, condicionamento físico, apoio social, sensação de autonomia e percepção de controle sobre a própria vida.
A Relação Entre Corpo e Mente na Resiliência
Falar sobre resiliência exige compreender a interação constante entre corpo e mente, emoções e pensamentos. Tudo está conectado: nosso estado físico influencia nossas emoções e pensamentos, e estes, por sua vez, também afetam o corpo.
Para começar a desenvolver essa percepção, podemos nos fazer algumas perguntas no início de cada atividade ou treinamento: “Como estou hoje?” ou “Como estou neste momento?”. Uma maneira prática de fazer isso é utilizar uma escala de 0 a 100 para avaliar nosso estado antes da atividade e repetir essa avaliação ao final, observando se algo mudou em nossa experiência ao longo do processo.
Um aspecto importante da construção da resiliência é justamente aprender a reconhecer nosso ponto de partida emocional e físico.
Os Efeitos do Estresse Positivo e Negativo
A resiliência é fundamental para lidar com o estresse, que é um componente fisiológico natural e necessário para nos impulsionar à ação. No entanto, quando o estresse ultrapassa níveis saudáveis ou permanece elevado por muito tempo, tornando-se crônico, ele passa a produzir efeitos negativos sobre o organismo e a saúde mental.
Como o estresse faz parte da vida, é essencial desenvolver a capacidade de reconhecê-lo, compreender seus efeitos sobre nós e aprender a lidar com ele de forma saudável. Nem sempre podemos controlar as circunstâncias externas, mas podemos aprender a controlar nossas respostas diante delas, e é exatamente nesse ponto que a resiliência desempenha um papel fundamental.
Talvez não seja possível eliminar completamente o estresse, mas é possível desenvolver habilidades para administrá-lo de maneira mais equilibrada e eficaz.
Referências
Hoare. Resilience in the Elderly. Journal of Aging Life Care (2015).
Hu et al. A meta-analysis of the trait resilience and mental health. Personality and Individual Differences, 76 (2015), 18–27.


