De acordo com o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, milhões de pessoas sobreviveram ao câncer e vivem por mais tempo. Como resultado, muitos estudos investigam os efeitos colaterais de longo prazo do câncer e de seus tratamentos. Um desses efeitos é o comprometimento cognitivo que pode ocorrer antes, durante ou após os tratamentos e que pode impactar significativamente a qualidade de vida e o funcionamento diário. Nos últimos anos, especialistas têm defendido a necessidade de monitoramento cognitivo e de intervenções para déficits cognitivos como parte do cuidado oncológico abrangente.
O “Chemo Brain”, também conhecido como chemobrain ou comprometimento cognitivo induzido por quimioterapia, é um termo introduzido em 2012 pelo Dr. Tim Ahles e seus colegas para descrever problemas cognitivos que podem ocorrer durante e após o tratamento do câncer. Sobreviventes frequentemente relatam redução na capacidade de concentração e memória, diminuição da velocidade de processamento, sensação de “névoa mental” e dificuldade para encontrar palavras. Esses sintomas também podem aparecer em pacientes que não passaram por quimioterapia, mas foram tratados com hormônios, radioterapia ou cirurgia.
Os pesquisadores ainda estão tentando entender como a quimioterapia afeta o cérebro e em que medida isso ocorre. Embora a maioria dos medicamentos quimioterápicos não atravesse a barreira hematoencefálica — cuja função é filtrar substâncias do sangue que chegam ao sistema nervoso e proteger o cérebro — alguns medicamentos podem ter efeitos diretos no cérebro. Além disso, segundo o Dr. Ahles, a maioria dos agentes quimioterápicos afeta o DNA de alguma forma, e esses efeitos podem levar a alterações cerebrais.
Quão comum é isso?
Muitas pessoas experimentam dificuldades cognitivas durante o tratamento do câncer. Há diversas causas além da quimioterapia, incluindo o próprio câncer, fadiga, enfraquecimento do sistema imunológico, anemia, deficiências nutricionais, alterações hormonais, dor, uso de analgésicos e sedativos, entre outros medicamentos. Além disso, existem fatores de risco associados ao declínio cognitivo em pacientes, como idade, comorbidades (por exemplo, doenças cardíacas, hipertensão, diabetes) e condições psicológicas como ansiedade e depressão.
Segundo o Dr. Tim Ahles, a recuperação cognitiva após o tratamento costuma ser lenta, e cerca de 75% dos sobreviventes relatam retorno ao funcionamento cognitivo normal aproximadamente um ano após o término da terapia. No entanto, há muitos sobreviventes cuja função cognitiva não retorna ao nível anterior ao diagnóstico do câncer. Esse comprometimento pode afetar significativamente a qualidade de vida, o retorno ao trabalho, a produtividade, a continuidade dos estudos e outras atividades.
O que pode ser feito?
É importante informar o médico responsável e compartilhar essas dificuldades com o ambiente próximo. Ajuda profissional pode ser buscada, e novas estratégias de enfrentamento podem ser desenvolvidas. Em termos de tratamento, a abordagem mais comum atualmente para lidar com o “chemo brain” envolve principalmente atividade física, meditação e reabilitação cognitiva.
A atividade física, como caminhar, pode melhorar o fluxo sanguíneo para o cérebro e promover a regeneração neural, contribuindo para a melhora da velocidade de processamento e da cognição. Atividades regulares como jardinagem, artesanato e terapia com animais também podem ajudar na concentração.
A meditação envolve prática diária de exercícios de respiração, atenção plena em movimento ou meditação sentada, ajudando a equilibrar e acalmar o sistema nervoso, melhorar a concentração e promover uma atividade cerebral mais sincronizada.
A reabilitação cognitiva ensina a melhorar habilidades cognitivas por meio da compreensão de como o cérebro funciona, do desenvolvimento de novas estratégias de aprendizagem, do uso de técnicas e ferramentas auxiliares e do treino das habilidades em que há dificuldade. Assim como a reabilitação física após uma lesão, a reabilitação cognitiva ajuda o cérebro a se recuperar. Neuropsicólogos ou terapeutas ocupacionais podem orientar esse processo, mas também há estratégias que podem ser feitas em casa, como o treinamento cognitivo computadorizado.
O que é treinamento cognitivo computadorizado?
A Effectivate, em colaboração com neuropsicólogos e especialistas em pesquisa cerebral, desenvolveu um software de treinamento cognitivo. Por meio de um programa especializado, é possível exercitar habilidades cognitivas, aprender novas estratégias e fortalecer memória, concentração e capacidades de pensamento. O treinamento é realizado em computador ou tablet, com a frequência desejada, no ambiente doméstico.
Um treinamento cognitivo computadorizado bem estruturado é um programa versátil. Na Effectivate, não é possível realizar apenas exercícios de que gostamos e ignorar os mais desafiadores. A plataforma oferece sessões de cerca de 15 minutos que incluem diversos exercícios em diferentes áreas e níveis de dificuldade, além de lições que ensinam técnicas para melhorar as habilidades treinadas.


