Teste sua mente agora: seu cérebro está realmente envelhecendo ou apenas ficou cognitivamente preguiçoso?

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Teste sua mente agora: seu cérebro está realmente envelhecendo ou apenas ficou cognitivamente preguiçoso?

À medida que passamos dos 55 anos, qualquer pequeno lapso de memória tende a receber uma interpretação dramática. Esqueceu onde estacionou o carro? Precisou de alguns segundos a mais para lembrar o nome de um vizinho? No entanto, a verdade científica que emerge da neurociência moderna é muito diferente e muito mais encorajadora: na maioria dos casos, seu cérebro não perdeu suas capacidades, ele simplesmente se tornou cognitivamente preguiçoso.

O cérebro humano é um órgão extremamente econômico. Ele representa apenas cerca de 2% do peso corporal, mas consome aproximadamente 20% da energia do organismo. Para preservar essa energia metabólica, o cérebro desenvolve ao longo dos anos certas “automações”: padrões fixos e atalhos que permitem realizar as tarefas do dia a dia com o mínimo de esforço. Esse fenômeno, conhecido na literatura científica como “avareza cognitiva” (cognitive miserliness), aumenta com o envelhecimento; simplesmente passamos a depender mais da nossa rica experiência de vida e ativamos cada vez menos o cérebro em um estado de participação ativa (Fiske & Taylor, 2013). O músculo não está danificado, ele apenas adormeceu dentro da sua zona de conforto.

Não acredite apenas no que estamos dizendo. Vamos testar agora. Preparado?

Abaixo estão três pequenos testes de atenção e memória. Sem trapacear, não use papel e caneta e tente realizá-los agora diretamente na tela.

Teste 1: O desafio da leitura reversa (Testando flexibilidade mental)

Leia a frase abaixo, mas em vez de ler normalmente da esquerda para a direita, leia de trás para frente, do final para o início, palavra por palavra:

Sucesso alcançar não faz conquista, cérebro o desafios os apenas esforço

Você conseguiu?

Se o seu cérebro travou na segunda ou terceira palavra e tentou automaticamente voltar à leitura normal, isso é um sinal de que suas automações cerebrais estão mais fortes do que seu controle cognitivo naquele momento.

Teste 2: A armadilha das letras (Testando atenção seletiva e foco)

Leia as linhas abaixo em ritmo normal e conte mentalmente apenas quantas vezes aparece a letra “T” (maiúscula ou minúscula). Não use o dedo ou o cursor para acompanhar as palavras:

“Movimento constante de pensamentos cria novos caminhos em nosso cérebro. Quando usamos as ferramentas certas, a memória de curto prazo melhora de forma extraordinária e recuperar informações se torna simples.”

(A resposta está mais abaixo no artigo. Não olhe ainda.)

Teste 3: Teste de memória imediata (Testando codificação visual)

Observe a lista de objetos abaixo por apenas 5 segundos e depois feche os olhos:

Óculos, Chave, Planta, Relógio, Livro, Maçã, Guarda-chuva.

Agora tente falar os objetos em voz alta, mas na ordem inversa: começando pelo final (Guarda-chuva) até o início (Óculos).

Qual foi sua pontuação?

INo Teste 2, a letra “T” / “t” apareceu exatamente 9 vezes (movimento (1), constante (2), pensamentos (1), ferramentas (1), certas (1), curto (1), maravilhosamente (1), torna (1).

Se você contou mais ou menos, ou se ficou confuso com a ordem inversa dos objetos no Teste 3, parabéns, você tem um cérebro completamente normal que simplesmente está acostumado a funcionar no “piloto automático”.

Quando o cérebro encontra uma tarefa que não corresponde aos seus padrões fixos (como contar letras sem apontar ou inverter a ordem das palavras), ele precisa ativar as funções executivas localizadas no córtex pré-frontal.

Estudos mostram que um declínio cognitivo leve em idades mais avançadas geralmente não ocorre devido a danos no próprio mecanismo de armazenamento da memória, mas sim devido ao desgaste dos mecanismos de atenção e controle da resposta (Braver, 2012). É por isso que você pode entrar em um cômodo e esquecer o que queria fazer: não porque a memória foi apagada, mas porque seu mecanismo de atenção não estava 100% ativado no momento exato em que você decidiu mudar de ambiente. A informação simplesmente nunca foi codificada em primeiro lugar.

Como despertar o cérebro dessa preguiça?

Para manter a agilidade cognitiva, você não precisa “lutar contra o envelhecimento”, você simplesmente precisa forçar o cérebro a parar de economizar energia.

Você precisa criar aquilo que os cientistas chamam de “Dificuldades Desejáveis” (Desirable Difficulties).

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA), descobriram que justamente quando um aprendizado ou uma tarefa parece um pouco difícil, frustrante e menos fluida, esse é o indicador científico de que o cérebro está criando novas conexões sinápticas e aprofundando a codificação da memória (Bjork & Bjork, 2011).

Aqui está um pequeno exercício simples que você pode implementar já no jantar de hoje: sente-se para comer e segure seu garfo ou colher com a mão não dominante. Essa ação força o cérebro a sair de seu caminho neural automático e recrutar sua neuroplasticidade para resolver uma tarefa motora familiar de uma maneira completamente nova (Park & Reuter-Lorenz, 2009). Vai parecer estranho, vai parecer mais lento e talvez até um pouco irritante, mas essa pequena frustração é exatamente a música que seu cérebro produz quando desperta para a vida.

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Referências Acadêmicas

  • Bjork, E. L., & Bjork, R. A. (2011). Making things hard on yourself, but in a good way: Creating desirable difficulties to enhance learning. Psychology and the Real World: Essays Illustrating Fundamental Contributions to Society, 2(1), 56-64.
  • Braver, T. S. (2012). The variable nature of cognitive control: A dual mechanisms framework. Trends in Cognitive Sciences, 16(2), 106-113.
  • Fiske, S. T., & Taylor, S. E. (2013). Social Cognition: From Brains to Culture (2nd ed.). SAGE Publications.
  • Park, D. C., & Reuter-Lorenz, P. (2009). The adaptive brain: Aging and neurocognitive scaffolding. Annual Review of Psychology, 60, 173-196.

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